redação Universo Educação
No Tocantins, em 2008, 39,8% dos jovens com 16 anos não conseguiram concluir o ensino fundamental, de acordo com a pesquisa De Olho nas Metas 2009 divulgada pelo movimento Todos pela Educação. O Estado ocupa o 13º lugar no ranking, com 60,2% dos jovens com 16 anos que concluíram o ensino fundamental.
Apesar de quase 40% dos jovens com 16 anos, no Tocantins, não terem terminado o ensino fundamental, o Estado conseguiu superar o índice proposto pelo Todos pela Educação que indicou um percentual de 57,9% que o estado deveria atingir. Entretanto, o presidente executivo do movimento Todos pela Educação, Mozart Nevez Ramos, explica que o objetivo é que em 2021 todos os estados alcancem 95% relacionado aos jovens com 16 anos. “Se o Tocantins mantiver este ritmo de crescimento ele não conseguirá atingir a meta proposta”, afirma.
Por isso, Ramos alerta que é necessário o governo iniciar uma estratégia de ações para que o Estado consiga alcançar esse objetivo. “As crianças e jovens serão os mais beneficiados. Para que a educação seja cada vez mais democratizada temos que pensar a longo prazo e começar a traçar e executar ações agora.”
A pesquisa, divulgada na semana passada, tem como objetivo monitorar indicadores educacionais de acesso e qualidade a partir de cinco metas: Meta 1 - toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola; Meta 2 - toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos; Meta 3 - todo aluno com aprendizado adequado à sua série; Meta 4 - todo jovem com 16 anos que concluíram o ensino fundamental e jovens até 19 anos que concluíram o ensino médio; Meta 5 - investimento em Educação ampliado e bem gerido. As metas devem ser atingidas até o bicentenário da Independência, em 2022. O Estado do Tocantins foi avaliado na Meta 1 e Meta 4.
A pesquisa revela que em 2008 o Tocantins ficou em 15º, na meta em que todas as crianças e jovens estão na escola, com 89,6%; o índice previsto pelo Todos pela Educação para o estado era de 90,6%. Para 2021, o objetivo é atingir 98%.
Ensino Médio
No acompanhamento da conclusão do ensino médio, cinco estados superaram o estipulado para 2008: Tocantins (44,8%), Ceará (41,1%), São Paulo (68,3%), Pará (30,1%) e Rondônia (49,9%). Os resultados observados nos demais 22 estados estão dentro do intervalo de confiança. Nenhum estado ficou abaixo da meta. Com este índice de 44,8%, o Tocantins ocupa também o 13º lugar dos jovens com até 19 anos que conseguiram concluir o ensino médio. Para este quesito, o Todos pela Educação tinha proposto um percentual de 34,9% para o Tocantins.
Seduc
Em relação à Meta 4 (jovens com 16 anos que concluíram o ensino fundamental e jovens até 19 anos que concluíram o ensino médio), a Secretaria de Educação e Cultura informou que vem desenvolvendo ações e projetos no intuito de atender ao que está posto no documento Todos pela Educação. Além disso, a Secretaria disse que está buscando fortalecer parcerias com a Rede Municipal e a sociedade civil, uma vez que toda a sociedade é responsável pelo cumprimento das referidas metas.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Ensino Médio é o principal Gargalo da educação, segundo Ipea
redação Universo Educação
Anos após terem garantido a universalização do ensino fundamental, os governos federal, estaduais e municipais ainda não conseguiram avançar e assegurar o acesso da população brasileira ao ensino médio público, que se tornou o principal gargalo da educação no País, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
De acordo com o estudo apresentado hoje em São Paulo, "Presença do Estado no Brasil: Federação, suas unidades e municipalidades" que mapeia a participação dos governos em nove setores, havia, em 2007, 136.903 escolas de ensino fundamental municipais, estaduais e federais no País e apenas 17.874 de ensino médio.
Dos 51,16 milhões de alunos matriculados em todos os níveis de ensino, com exceção do universitário, 31,4 milhões estudavam no ensino fundamental e apenas 8,2 milhões no ensino médio. Os dados foram levantados com base em informações do Ministério da Educação. Cerca de 971 mil habitantes não possuem acesso direto ao ensino médio porque 46 municípios não possuem escolas deste tipo no País.
Em outra pesquisa, divulgada no início do mês, o Ipea já apontava que apenas a metade dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos frequenta o ensino médio na idade adequada e que 44% ainda não concluíram nem o ensino fundamental. O acesso ao ensino superior é ainda mais restrito, com frequência de apenas 13,6% dos jovens de 18 a 24 anos. Uma boa parcela dos que têm mais de 18 anos - cerca de 30% - conseguiu completar o ensino médio, mas sem buscar a continuidade de estudos no ensino superior.
Estabelecimentos de ensino superior das três esferas públicas somam 249 estabelecimentos, concentrados em apenas 157 municípios. Dos municípios que possuem esses estabelecimentos, 46% estão no Sudeste.
O dado é preocupante na medida em que o crescimento da economia eleva a demanda por mão de obra qualificada. "Temos um gargalo importante no acesso à educação média e universitária. A presença do Estado na educação média é pequena", afirmou Márcio Pochmann, presidente do Ipea.
Ele alerta que esse cenário exige ações imediatas dos governos. "À medida que a trajetória de crescimento econômico sustentável se mantiver, teremos problemas com escassez de mão de obra qualificada que têm de ser resolvidos agora", afirmou. "Educação e cultura têm papel estratégico no século 21, em que domina a sociedade do conhecimento. Tem de haver um novo olhar do Estado nessa área", avalia.
Cultura
Na área cultural, também há deficiências. Segundo o levantamento, 2.953 municípios não têm estabelecimento público de cultura como teatro, museus ou casas de cultura. Desses, 37% estão no Nordeste. Apenas 967 possuem museus e 905 teatros ou salas de espetáculo.
Cerca de 45% da população brasileira, ou 50% do território nacional, não têm nenhum tipo de equipamento público de cultura. Há 1 biblioteca pública para cada 27,6 mil pessoas. No Sul, a relação é uma a cada 19,1 mil e no Sudeste, uma a cada 33,3 mil.
Apesar das deficiências, saúde e educação são serviços em que o brasileiro mais vê a cara do governo. Dos 8,3 milhões de funcionários públicos municipais, estaduais e federais, 4,2 milhões trabalham nas duas áreas.
Anos após terem garantido a universalização do ensino fundamental, os governos federal, estaduais e municipais ainda não conseguiram avançar e assegurar o acesso da população brasileira ao ensino médio público, que se tornou o principal gargalo da educação no País, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
De acordo com o estudo apresentado hoje em São Paulo, "Presença do Estado no Brasil: Federação, suas unidades e municipalidades" que mapeia a participação dos governos em nove setores, havia, em 2007, 136.903 escolas de ensino fundamental municipais, estaduais e federais no País e apenas 17.874 de ensino médio.
Dos 51,16 milhões de alunos matriculados em todos os níveis de ensino, com exceção do universitário, 31,4 milhões estudavam no ensino fundamental e apenas 8,2 milhões no ensino médio. Os dados foram levantados com base em informações do Ministério da Educação. Cerca de 971 mil habitantes não possuem acesso direto ao ensino médio porque 46 municípios não possuem escolas deste tipo no País.
Em outra pesquisa, divulgada no início do mês, o Ipea já apontava que apenas a metade dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos frequenta o ensino médio na idade adequada e que 44% ainda não concluíram nem o ensino fundamental. O acesso ao ensino superior é ainda mais restrito, com frequência de apenas 13,6% dos jovens de 18 a 24 anos. Uma boa parcela dos que têm mais de 18 anos - cerca de 30% - conseguiu completar o ensino médio, mas sem buscar a continuidade de estudos no ensino superior.
Estabelecimentos de ensino superior das três esferas públicas somam 249 estabelecimentos, concentrados em apenas 157 municípios. Dos municípios que possuem esses estabelecimentos, 46% estão no Sudeste.
O dado é preocupante na medida em que o crescimento da economia eleva a demanda por mão de obra qualificada. "Temos um gargalo importante no acesso à educação média e universitária. A presença do Estado na educação média é pequena", afirmou Márcio Pochmann, presidente do Ipea.
Ele alerta que esse cenário exige ações imediatas dos governos. "À medida que a trajetória de crescimento econômico sustentável se mantiver, teremos problemas com escassez de mão de obra qualificada que têm de ser resolvidos agora", afirmou. "Educação e cultura têm papel estratégico no século 21, em que domina a sociedade do conhecimento. Tem de haver um novo olhar do Estado nessa área", avalia.
Cultura
Na área cultural, também há deficiências. Segundo o levantamento, 2.953 municípios não têm estabelecimento público de cultura como teatro, museus ou casas de cultura. Desses, 37% estão no Nordeste. Apenas 967 possuem museus e 905 teatros ou salas de espetáculo.
Cerca de 45% da população brasileira, ou 50% do território nacional, não têm nenhum tipo de equipamento público de cultura. Há 1 biblioteca pública para cada 27,6 mil pessoas. No Sul, a relação é uma a cada 19,1 mil e no Sudeste, uma a cada 33,3 mil.
Apesar das deficiências, saúde e educação são serviços em que o brasileiro mais vê a cara do governo. Dos 8,3 milhões de funcionários públicos municipais, estaduais e federais, 4,2 milhões trabalham nas duas áreas.
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Regionalismo: ''Eu sarto de banda''
Prof. Pasquale Cipro Neto
O programa Nossa Língua Portuguesa já abordou algumas vezes a questão do preconceito lingüístico. Muitas pessoas ainda manifestam preconceito contra variantes lingüísticas típicas de determinadas comunidades. Isso é de lamentar, pois, na verdade, o modo como comunidades do interior de São Paulo, por exemplo, pronunciam certas palavras e fonemas enriquece o patrimônio cultural da língua portuguesa.
Veja este trecho da canção "De repente Califórnia", de Lulu Santos e Nélson Motta:
... O vento beija meus cabelos
as ondas lambem minhas pernas
o sol abraça o meu corpo
meu coração canta feliz.
Eu dou a volta, pulo o muro
mergulho no escuro
sarto de banda.
Na Califórnia é diferente, irmão
e muito mais do que um sonho...
Você notou, a certa altura, a expressão "sarto de banda". Não há nenhum problema nisso! Afinal, trata-se de uma letra de música, e não de uma dissertação formal. É muito importante que nós tenhamos noção da variante lingüística empregada em determinado ambiente. Não seria admissível escrever "sarto de banda" ou qualquer outra expressão similar num texto formal. Mas numa conversa informal, numa canção, não há o menor problema.
O programa Nossa Língua Portuguesa já abordou algumas vezes a questão do preconceito lingüístico. Muitas pessoas ainda manifestam preconceito contra variantes lingüísticas típicas de determinadas comunidades. Isso é de lamentar, pois, na verdade, o modo como comunidades do interior de São Paulo, por exemplo, pronunciam certas palavras e fonemas enriquece o patrimônio cultural da língua portuguesa.
Veja este trecho da canção "De repente Califórnia", de Lulu Santos e Nélson Motta:
... O vento beija meus cabelos
as ondas lambem minhas pernas
o sol abraça o meu corpo
meu coração canta feliz.
Eu dou a volta, pulo o muro
mergulho no escuro
sarto de banda.
Na Califórnia é diferente, irmão
e muito mais do que um sonho...
Você notou, a certa altura, a expressão "sarto de banda". Não há nenhum problema nisso! Afinal, trata-se de uma letra de música, e não de uma dissertação formal. É muito importante que nós tenhamos noção da variante lingüística empregada em determinado ambiente. Não seria admissível escrever "sarto de banda" ou qualquer outra expressão similar num texto formal. Mas numa conversa informal, numa canção, não há o menor problema.
No ar desde agosto de 1994, o programa trata, sem preciosismos, das dificuldades lingüísticas que enfrentamos ao falar o nosso idioma. O prof. Pasquale Cipro Neto examina filmes publicitários, letras de músicas, poemas, HQ, depoimentos de personalidades e populares, artigos da imprensa, programas de TV e o que mais seja de nossa expressão lingüística. Consulte aqui a íntegra dos módulos, organizados segundo critérios da gramática
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