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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Número: Plural de ''Sol''

PROF. PASQUALE CIRPO NETO



Mas você pode ter certeza
de que seu telefone irá tocar
em sua nova casa
que abriga agora a trilha
incluída nessa minha conversão.
Eu só queria te contar
que eu fui lá fora
e vi dois sóis num dia
e a vida que ardia
sem explicação....

A letra acima foi extraída de "O segundo sol", canção de Nando Reis. Será que a palavra "sol" tem plural? Tem, sim. Não importa que exista apenas um sol. Essa palavra portuguesa pode perfeitamente ser pluralizada. O plural de "sol" é "sóis".
Qual é a regra que está por trás disso? Os substantivos terminados em "-al", "-el", "-ol" e "-ul" fazem o plural pela transformação do "l" dessas terminações em "-is".

sol/sóis
guarda-sol/guarda-sóis
canal/canais
papel/papéis

As exceções são "mal", "real (quando nome de moeda) e cônsul, cujo plural é, respectivamente, "males", "réis" e "cônsules".

É preciso lembrar que em "sóis", por exemplo, temos um ditongo aberto, "ói", que é tônico e deve ser acentuado.
No caso de "guarda-sol" temos uma palavra composta formada por um verbo, "guarda", e um substantivo, "sol". Para formar o plural em casos como esse, só o substantivo deve ser alterado.

o guarda-sol
os guarda-sóis.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Bemvindo, Ou Bem-Vindo?

Prof. Pasquale Cipro Neto

"Bem-vindo a São Paulo", "Seja bem-vindo a Guaratinguetá". Quando se chega a uma cidade, ? comum vermos placas desse tipo. Mas há também aquelas que, em vez de "bem-vindo", trazem "benvindo". Perguntamo-nos então se uma forma vale pela outra, se é indiferente usar uma e outra. Vejamos uma letra do grupo Engenheiros do Havaí, chamada "Simples de coração":

(...)
antes que eu saia
pela tangente
no giro do carrossel
falta uma volta (ponteiros parados):
tudo dança em torno de ti
volta voando... fim da viagem:
bem-vinda à vida real.


A letra dá uma dica: "...fim da viagem: bem-vinda à vida real...". "Bem-vinda" é o feminino de "bem-vindo" e grafa-se com hífen também.

Os dicionários brasileiros dão "bem-vindo" com hífen quando o sentido é o de saudação. No entanto indicam que existe também a forma "Benvindo" (com "n" e sem hífen) como nome de pessoa: "Benvindo" para homens e "Benvinda" para mulheres.

A grafia do adjetivo com que se faz a saudação pede hífen. Há um detalhe, porém. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, registra duas grafias para a saudação: "bem-vindo" e "benvindo". Como o vocabulário tem força de lei, concluímos que essa grafia também é possível.





No ar desde agosto de 1994, o programa trata, sem preciosismos, das dificuldades lingüísticas que enfrentamos ao falar o nosso idioma. O prof. Pasquale Cipro Neto examina filmes publicitários, letras de músicas, poemas, HQ, depoimentos de personalidades e populares, artigos da imprensa, programas de TV e o que mais seja de nossa expressão lingüística. Consulte aqui a íntegra dos módulos, organizados segundo critérios da gramática.

sábado, 16 de janeiro de 2010

"X" ou "ch"?

Prof. Pasquale Cirpo Neto

Um item particularmente delicado do capítulo de ortografia é o que diz respeito ao uso de "x" e "ch". Tomemos alguns exemplos extraídos da letra de música "Bolo de ameixa", do grupo Mundo Livre S.A.:

Deixa esse bolo de ameixa
e vem mexer
deixa esse bolo de ameixa
e vem mexer...


Repare em "Deixa esse bolo de ameixa". Tanto em "deixa" quanto em "ameixa" temos ditongo: dei-xa e a-mei-xa. A grafia é essa mesma, com "x". A dica é muito simples: depois de ditongo, usa-se "x".


Veja outros exemplos:

frouxo
baixo
caixa

Entretanto há uma exceção. Trata-se de "recauchutar" e toda a sua família: "recauchutagem", "recauchutador" etc. Nessas palavras temos o ditongo "au" e, em seguida "ch", em vez de "x". Isso se deve à origem da palavra "recauchutar", que, conforme o dicionário Houaiss, vem do termo francês "recaoutchouter" < "caoutchouter", que significa "emborrachar, impermeabilizar" e é, por sua vez, formado a partir de "caoutchou" (palavra de origem peruana), "borracha". De qualquer maneira, tirando o caso da família de "recauchutar", você pode tomar isto como regra: depois de ditongo, use sempre "x".




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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"Quis" ou "quiz"?

Prof. Pasquale Cirpo Neto

A terminação das palavras "feliz" e "quis", do verbo "querer", tem som de "is". Mas a grafia não é a mesma numa e noutra palavra. Vejamos um exemplo tomado à canção "Bem que se quis", de Marisa Monte.

Bem que se quis
depois de tudo ainda ser feliz
mas já não há caminhos pra voltar.
E o que é que a vida fez da nossa vida?
O que é que a gente não faz por amor?

Essa música é italiana, de um napolitano chamado Pino Daniele, e foi vertida para o português por Nelson Motta. Diz a letra:

Bem que se quis depois de tudo ainda ser feliz...

"Quis" e "feliz" rimam entre si, mas "quis" se escreve com "s", e "feliz", com "z". "Quis" é forma do verbo "querer". Quando você conjugar o verbo "querer", simplesmente aposente a letra "z".
O verbo querer apresenta todas as formas grafadas com a letra "s".

quis
quisemos
quiseram
quisesse
quiséssemos
quisessem
quiser
quisermos
quiserem

Como se pode notar, em nenhuma das formas acima, pertencentes a modos e tempos verbais distintos, aparece a letra "z".



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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Plural das palavras terminadas em "x"

Prof. Pasquale Cirpo Neto

Nem todos os plurais de palavras terminadas em "x" seguem o mesmo modelo. Vejamos o caso de "tórax".

Qual é o plural de tórax? O plural de tórax é tórax: o tórax, os tórax.
(Lembremos que o adjetivo é torácico, com "c", e não com "x".)

No entanto há outras palavras terminadas em "x" que fazem plural diferente. Extraímos um exemplo da música "Cálix Bento" (letra adaptada por Tavinho Moura da Folia de Reis do Norte de Minas Gerais), cantada por Pena Branca e Xavantinho:

... onde mora o cálix bento
... onde mora o cálix bento...

Deve-se atentar para a pronúncia correta da palavra "cálix". O "x" não é pronunciado como na palavra "tórax" e, sim, com som de "s". "Cálix" tem uma forma paralela, "cálice".

As palavras que terminam em "x" e têm forma paralela fazem o plural pela forma paralela.
Ex:

cálix, cálice, cálices
apêndix (neste caso, pronuncia-se o "x" ), apêndice, apêndices
índex, índice, índices
látex, látice, látices

Normalmente, diz-se "latéx", com deslocamento do acento. Errado. O certo é "látex".




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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Palavras terminadas em "-gem"

Prof. Pasquale Cirpo Neto

Veja as palavras terminadas em -gem que aparecem no texto abaixo, extraído da canção "Sereia", de Lulu Santos.

Clara como a luz do Sol
lareira luminosa nessa escuridão
bela como a luz da Lua
estrela do Oriente nesses mares do Sul
lareira azul no céu
na paisagem
será magia, miragem, milagre
ser� mist�rio

Observe que "paisagem" rima com "miragem". Esses substantivos que terminam em "-gem" são grafados com "g": "paisagem", "miragem", "garagem" (existe também a forma "garage"), "personagem", "ultrapassagem", "passagem", e por aí vai.

Mas, como sabemos, existem as exceções: "lambujem" e "pajem". Afora essas duas, os demais substantivos terminados em "-gem" escrevem-se com "g". "Viagem", por exemplo, é substantivo e é grafado com "g". Já "viajem", forma do verbo "viajar", é com "j".




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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Palavras terminadas em "-ez"

Prof. Pasquale Cipro Neto

Como é que se escreve "chinês"? Com "s" no fim, é claro, e acento circunflexo no "e".
E "holandês"? Do mesmo modo: com "s" no fim e circunflexo no "e".

E quem é tímido? Quem é tímido possui uma propriedade que às vezes atrapalha um pouco... Uma propriedade, uma qualidade chamada...

Bem, vamos ver trecho de uma canção com o grupo Biquíni Cavadão:

... Se eu tento ser direto, o medo me ataca.
Sem poder nada fazer,
sei que tento me vencer e acabar com a mudez.
Quando chego perto, tudo esqueço e não tenho vez.
Me consolo (foi errado o momento talvez...),
mas na verdade nada esconde essa minha timidez
...

Essa música chama-se "Timidez", exatamente o que nos interessa. Quem é tímido é dotado de timidez. "Timidez" não se escreve com "s", mas com "z". Trata-se de um substantivo abstrato, que, entre outras coisas, designa qualidade, como "honestidade" e "rapidez". O adjetivo "tímido" dá origem a "timidez", substantivo abstrato. Sempre que ocorre esse processo, com o acréscimo de "-ez" e "-eza", usamos a letra "z".

Substantivos abstratos derivados de adjetivos
terminam em -ez/-eza.

É o caso também de "mudez", outra palavra que está na letra da canção. "Mudez", substantivo abstrato, vem de "mudo", adjetivo. Por isso "mudez", como "timidez", escreve-se sempre com "z", de "zebra"!

E o substantivo abstrato também serve para dar nome de estado ou situação. Vamos entender melhor com a canção "Somos quem Podemos Ser", gravada pelos Engenheiros do Hawaii:

... A vida imita o vídeo,
garotos inventam um novo inglês,
vivendo num país sedento,
um momento de embriaguez.
Somos quem podemos ser,
sonhos que podemos ter
.

Nessa canção existe a palavra embriaguez. É o nome de um estado, de uma situação, como "gravidez".

E aquela raça de cachorro... será "pequinês" ou "pequinez"?
Bem, "pequenez" é a qualidade de algo pequeno. "Pequeno" é adjetivo, "pequenez" é substantivo abstrato. Portanto, com "z".


A raça do cachorro chama-se "pequinês" porque é originária da cidade de Pequim, na China. E, assim como "holandês" e chinês", grafa-se com "s" no fim e circunflexo no "e".



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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

"Viajem" ou "viagem"? "Chuchu" ou "xuxu"?

Prof. Pasquale Cipro Neto

Muitos têm dificuldade para acertar na grafia das palavras. Nesses casos, é fundamental consultar o dicionário com freqüência.

A palavra "chuchu", por exemplo, nem sempre é grafada corretamente. Escreve-se "chuchu", como se pode perceber, com "ch" e sem acento.

Outra "curiosidade" que a língua nos oferece diz respeito à palavra "viagem". Entrevistamos o povo na rua a respeito desse termos, e as respostas se dividiram.. Algumas pessoas garantem que é com "g", outras, com "j". Qual a forma correta?

Ambas as formas são possíveis: "viajar" é com "j", mas "viagem" pode ser escrita tanto com "g" como com "j". "Viagem" com "g" é o substantivo. "Viajem" com "j" é a forma verbal do verbo "viajar". Veja:

Que eu viaje
Que tu viajes
Que ele viaje
Que nós viajemos
Que vós viajeis
Que eles viajem

Ex.: Eu quero que vocês viajem agora e que façam uma ótima viagem. Interessante, não ?

Dúvidas também aparecem quanto à grafia das palavras "através", "atrás", "atrasado". Elas são escritas com "s" ou com "z"?

"Atrás", "atrasado", "atrasar" são palavras de uma mesma família, têm o mesmo radical e todas são escritas com "s". "Através" também é escrita com "s".

Problemas relacionados à grafia existem em outras línguas, não sendo exclusivos da língua portuguesa.

Em todos os casos, não há outra saída. Leia com constância para fixar a grafia das palavras e não se esqueça: quando a dúvida permanecer, vá ao dicionário, pois a certeza está lá.



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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O apóstrofo

Prof. Pasquale Cipro Neto

Um verdadeiro motivo de confusão é o apóstrofo, um sinal em forma de vírgula usado em certos casos de união de palavras. Um exemplo do uso do apóstrofo está na canção de Chico Buarque "Gota D'água":

Deixa em paz meu coracão
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água
...

O compositor preferiu escrever "gota d'água" a escrever "gota de água" . O apóstrofo representa a junção de duas palavras: "de" e "água".

Há casos de exagero no uso do apóstrofo. É o que ocorre em relação a "pra", redução da palavra "para". Nesse caso, não há junção de palavra com palavra. Logo não há por que colocar o apóstrofo.

O apóstrofo pode ser usado ainda de forma criativa e brincalhona. É o que vemos, por exemplo, no nome de um bar situado na rua Eça de Queirós, no bairro do Paraíso, em São Paulo. O nome do estabelecimento é ENTRE N'EÇA. Os proprietários criaram essa marca com base no nome da rua e na expressão popular "entre nessa". Ocorreria, nesse caso, um fusionamento de palavras, "no Eça", conforme sugere o trocadilho con "nessa".



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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"trocar de mal" e "ficar de mal"

Prof. Pasquale Cipro Neto

Existem determinadas expressões brasileiras que mudam de Estado para Estado. Um exemplo é a expressão "ficar de mal", que em alguns lugares recebe a variação que vemos no trecho abaixo da música "Espelho", de João Nogueira:

...troquei de mal com Deus por me levar meu pai...

Em São Paulo ninguém diz "troquei de mal", que é próprio do Rio de Janeiro e de outras regiões. Em São Paulo a expressão equivalente seria "fiquei de mal".

Nessa mesma letra João Nogueira escreve:

... um dia eu me tornei o bambambã da esquina....

"Bambambã" é uma expressão conhecida em todo o território nacional: "o bambambã do futebol" é o número 1 do time.

Observe outros casos em que uma expressão pode apresentar variação quanto à forma:

Em São Paulo, as pessoas descem do ônibus.
No Rio de Janeiro, elas saltam do ônibus.
A média na capital paulista é café com leite.
Em Santos, média é um pãozinho.
Em Itu (SP), pãozinho é filão.
O filão em S. Paulo, capital, é um pão grande.

A língua oficial não pode ser usada o tempo todo e em qualquer situação; por isso as variações existem e são enriquecedoras.

É o caso da palavra "cacete". A palavra "cacete" em língua culta significa "enfadonho". Assim, "um filme cacete" seria um filme enfadonho.

Nas padarias de Salvador, não se espante se, ao pedir 5 pãezinhos, a balconista avisar ao padeiro: "Salta 5 cacetinhos". Seria estranho, em São Paulo, alguém pedir em uma padaria "cinco cacetinhos".

Há ainda a expressão "do cacete", com função qualificadora e mesmo superlativa. Um livro "do cacete" é um livro "excelente". Uma campanha publicitária sobre o Caribe aproveitou essa gíria para montar um trocadilho: "Aruba é do Caribe". É claro que Aruba é do Caribe, mas a intenção é outra. Esse "Caribe" da frase está no lugar de "cacete", com quem compartilha o "ca" inicial.



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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Regionalismo: ''Eu sarto de banda''

Prof. Pasquale Cipro Neto

O programa Nossa Língua Portuguesa já abordou algumas vezes a questão do preconceito lingüístico. Muitas pessoas ainda manifestam preconceito contra variantes lingüísticas típicas de determinadas comunidades. Isso é de lamentar, pois, na verdade, o modo como comunidades do interior de São Paulo, por exemplo, pronunciam certas palavras e fonemas enriquece o patrimônio cultural da língua portuguesa.

Veja este trecho da canção "De repente Califórnia", de Lulu Santos e Nélson Motta:

... O vento beija meus cabelos
as ondas lambem minhas pernas
o sol abraça o meu corpo
meu coração canta feliz.
Eu dou a volta, pulo o muro
mergulho no escuro
sarto de banda.
Na Califórnia é diferente, irmão
e muito mais do que um sonho
...

Você notou, a certa altura, a expressão "sarto de banda". Não há nenhum problema nisso! Afinal, trata-se de uma letra de música, e não de uma dissertação formal. É muito importante que nós tenhamos noção da variante lingüística empregada em determinado ambiente. Não seria admissível escrever "sarto de banda" ou qualquer outra expressão similar num texto formal. Mas numa conversa informal, numa canção, não há o menor problema.



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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Estrangeirismo: Palavras Italianas

Prof. Pasquale Cipro Neto

Todo mundo sabe que, além do tradicional arroz e feijão, o brasileiro adora uma massa, não é? O programa "Nossa Língua Portuguesa" foi às ruas para saber como as pessoas grafam algumas palavras muito comuns na culinária típica da Itália. Vamos aos resultados:

Lasanha: lazanha / lasanha
Nhoque: enhoque / nhioque
Espaguete: spaguetti / espaguete / spaghet
Muçarela: mussarela / musarela / muzzarella

Falando em comida, vimos nas respostas uma verdadeira salada! Bem, os dicionários registram formas aportuguesadas dessas palavras. "Lasanha", por exemplo, em italiano se escreve com "s" e "gn", ou seja, "lasagna", e em português com "s" e "nh", "lasanha". Depois vimos "nhoque". Em italiano, é "gnocchi", mas, em português, escreve-se com "nh" no começo e "que" no final ("nhoque"). Vimos também "espaguete", que em italiano se escreve "spaghetti" e vem de "spago", que quer dizer barbante.

Mas o grande problema é mesmo com a palavra "muçarela", grafada dessa maneira pelo vocabulário ortográfico oficial da Academia Brasileira de Letras. Os dicionaristas não se entendem. O dicionário Aurélio traz "mozarela". O novo Michaelis também grafa "mozarela", mas tolera a forma "muçarela".

Português
lasanha
nhoque
espaguete
mozarela/muçarela


Italiano
lasagna
gnocchi
spaghetti
mozzarella

Então é isso. A coisa é complicada. Determinadas palavras estrangeiras recebem forma aportuguesada, outras não. Na dúvida, vá ao dicionário. Sempre que a palavra tenha uma forma em português, dê preferência a ela.




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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

ESTRANGEIRISMO: palavras inglesas

Prof. Pasquale Cipro Neto

Observe a letra desta canção:

Eu não pedi pra nascer
eu não nasci pra perder
nem vou sobrar de vítima
das circunstâncias
Eu tô plugado na vida
eu tô curando a ferida
às vezes eu me sinto
Uma mola encolhida
...

Essa canção, "Toda forma de amor", foi gravada por Lulu Santos e por outros artistas. Nessa letra vemos o uso da palavra "plugado", particípio do verbo "plugar". A palavra, que até há pouco tempo não existia em português, começa a surgir nos novos dicionários. Vem do inglês "plug in", verbo que quer dizer "conectar", "ligar na tomada". Nos últimos anos, muitos artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Titãs e Moraes Moreira, têm gravado discos "unplugged". Esse prefixo "un" em inglês significa "não". Assim, o termo "unplugged", algo como "desconectado", "desligado da tomada", é usado para expressar que a gravação foi feita somente com instrumentos acústicos.

Para falar de outro caso desse tipo, vejamos um trecho da canção "Coisa bonita", gravada por Roberto Carlos:

Amo você assim e não sei
por que tanto sacrifício
Ginástica, dieta
não sei pra que tanto exercício
Olha, eu não me incomodo
Um quilinho a mais
não é antiestético
pode até me beijar, pode me
lamber que eu sou dietético
...

Em restaurantes, costumamos pedir mais por um "guaraná diet" do que por um "guaraná dietético". O termo "dietético" é um adjetivo derivado de "dieta", que, por sua vez, é de origem grega e significa "gênero de vida". Portanto a palavra "dietético" não tem nada a ver com esse uso que temos feito da palavra "diet", que nada mais é do que "dieta" em inglês.




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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Uso de "gente" e "nós"

Prof. Pasquale Cipro Neto

Afinal de contas, podemos ou não utilizar a expressão "a gente" no lugar de "nós" ? Dizer que não há problema nenhum em usarmos a expressão no dia-a-dia, na linguagem coloquial, contraria muitas pessoas, para quem esse uso da palavra "gente" deveria ser abolido de vez.

Evidentemente não é possível eliminar a expressão da língua do Brasil, mesmo porque seu uso já está mais do que consagrado. Mas quando ela é de fato mais lícita? No bate-papo, na linguagem informal. No texto formal, ela está fora de questão. Mas, uma vez usada, como deve ser a concordância? É "a gente quer" ou a "gente queremos"? A maneira correta é:

A gente quer.
Nós queremos.

O uso da expressão "a gente" em substituição a "nós" é tão forte que algumas vezes dá origem a confusões. Veja o trecho da canção "Música de rua", gravada por Daniela Mercury:

... E a gente dança
A gente dança a nossa dança
A gente dança
A nossa dança a gente dança
Azul que é a cor de um país
que cantando ele diz
que é feliz e chora

"A gente dança a nossa dança". É tão forte a idéia de "gente" no lugar de "nós" que nem faria muito sentido outro pronome possessivo para "gente", não é? O "nossa" é pronome possessivo da 1ª pessoa do plural e, portanto, deveria ser usado com o pronome "nós":

"Nós dançamos a nossa dança".

Na linguagem coloquial, no entanto, diz-se sem problema "a gente dança a nossa dança", "a gente não fez nosso dever", "a gente não sabia de nosso potencial" etc.

No bate-papo, no dia-a-dia, na canção popular, não seria inadequado o emprego da palavra "gente" — que nos perdoem os puristas, os radicais, os conservadores. Só não é possível aceitar construções como "a gente queremos". Isso já seria um pouco excessivo.




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sábado, 5 de dezembro de 2009

Giria: ''Não da Para...''

Prof. Pasquale Cipro Neto

Na canção abaixo, aparece uma expressão muito comum na fala, no bate-papo, que, no entanto, não deve freqüentar o chamado padrão escrito, o padrão formal da língua. O trecho faz parte da canção "Pra Dizer Adeus", dos Titãs:

...
não dá pra imaginar quando
é cedo ou tarde demais
Pra dizer adeus, pra dizer jamais

Na linguagem popular, a expressão "não dá pra..." é aceita e muito comum. No texto formal, no entanto, o mais apropriado seria utilizar "não é possível" ou algo equivalente. A expressão "não dá pra..." é bastante recorrente. Outro exemplo do seu uso é a canção "Rádio Bla", com Lobão:

...
não dá para controlar, não dá
não dá pra planejar
...

Utilizar essa expressão não é errado. Ela é adequada a um determinado nível de linguagem, como a fala. Mas o padrão escrito não a recomenda.





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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Giria: ''Detonada''

Prof. Pasquale Cipro Neto

Será que você já fez uso de "adequação vocabular"? "Vocabular" diz respeito a vocábulo, palavra. "Adequação vocabular" é adequar as palavras à situação de fala. As gírias, por exemplo, podem ser perfeitamente ajustadas a certos contextos. Repare na palavra "detonada" utilizada na letra da música abaixo, "Nada a declarar", do grupo Ultraje a Rigor:

Mas eu 'tô vendo que a galera anda entediada
não 'tá fazendo nada e eu não 'tô dando risada
Aí, qualé? Vamos lá, moçada!
Vamos agitar, vamos dar uma detonada!


"Detonar", nos dicionários, aparece como sinônimo de "fazer explodir", "provocar uma explosão". Na gíria, essa palavra passou a ser usada como sinônimo de "pôr tudo a perder", "acabar com tudo" e até de "ser o máximo", "ser o melhor dos melhores". O jogador que "detonou", por exemplo, foi o melhor do jogo.

No território da gíria, da linguagem popular, usar o verbo "detonar" com esse sentido é perfeitamente possível. Em linguagem formal, isso não seria de maneira alguma adequado. "Detonar" se limitaria, nesse caso, a indicar a idéia de explosão.




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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Gíria: ''Ficar''

Prof. Pasquale Cipro Neto

Os tempos dão às palavras significados que mudam.

Por exemplo: "ficar". Qualquer dicionário de língua portuguesa traz o significado da palavra, que todo mundo sabe qual é. Nos últimos tempos, porém, os jovens deram a essa palavra um novo sentido.


Vamos ver o que ocorre com "ficar" na letra da canção "A cruz e a espada", gravada por Paulo Ricardo:

...
E agora eu ando correndo tanto
procurando aquele novo lugar
e aquela festa, o que me resta
encontrar alguém legal pra ficar
e agora eu vejo, aquele beijo
era mesmo o fim
era o começo e o meu desejo
se perdeu de mim.

O que seria "alguém legal pra ficar"? A expressão "ficar", com a acepção que tem na canção, quer dizer algo como "ter um leve envolvimento com alguém, sem compromisso". Um rapaz vai a uma festa, conhece uma garota e fica o tempo todo com ela, o que pode incluir beijos e abraços.

Será que esse significado permanece por muito tempo? Quem sabe o "Nossa Língua Portuguesa" possa, daqui a dez anos, voltar a tratar da palavra "ficar" e ver se esse novo sentido já não ficou velho, se ficou mesmo...





No ar desde agosto de 1994, o programa trata, sem preciosismos, das dificuldades lingüísticas que enfrentamos ao falar o nosso idioma. O prof. Pasquale Cipro Neto examina filmes publicitários, letras de músicas, poemas, HQ, depoimentos de personalidades e populares, artigos da imprensa, programas de TV e o que mais seja de nossa expressão lingüística. Consulte aqui a íntegra dos módulos, organizados segundo critérios da gramática


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Giria: ''Panaca'', ''Basbaquete''

Prof. Pasqueale Cipro Neto

Observe o trecho da canção "É", de Luiz Gonzaga Jr.::

A gente quer calor no coração
a gente quer suar, mas de prazer
a gente quer é ter muita saúde
a gente quer viver a liberdade
a gente quer viver felicidade.
É, a gente não tem cara de panaca
a gente não tem jeito de babaca...

Nessa letra de Gonzaguinha, vimos o uso das gírias "panaca" e "babaca". Essa última, por sinal, tem a sua variante culta, "basbaque", a pessoa que pasma diante de tudo, o tolo. Do termo "basbaque" surgiu a variante "babaca", uma gíria. "Panaca" é a mesma coisa, uma gíria com significado semelhante a "babaca".

Vamos a um trecho da canção "Vida Louca Vida", gravada por Lobão:

...Se ninguém olha quando você passa
você logo acha: _"tô carente
sou manchete popular".
Já me cansei de toda essa tolice
babaquice
essa eterna falta do que falar.

Que posição devemos ter em relação à gíria? Preconceito? Não. A gíria é um recurso lingüístico saudável. A gíria vai e vem: ela nasce, vive, desaparece e pode até ressurgir. No texto formal, porém, procure evitá-la.





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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sons do "x"

Prof. Pasqueale Cipro Neto

"Chato" é com "x" ou "ch"? Claro, é com "ch", essa todo mundo sabe. E "lixo"? Com "x", sem dúvida, todo mundo sabe disso também. Mas, nessas duas palavras, o "ch" e o "x" têm som de quê? De "x", oras. Afinal, o nome da letra é "xis". Assim, em "chato", as letras "c" e "h" é que, juntas, têm som de "x".

Mas será que a letra "x" tem sempre som de "x"? Nem sempre. Vejamos alguns casos, como o de "máximo". Nessa palavra, o "x" tem som de "ss" (dois esses), como se tivesse sido escrita com "ss": "mássimo".

Agora observe este trecho da canção "Casa", gravada por Lulu Santos:

... Depois era um vício
uma intoxicação
me corroendo as veias
me arrasando pelo chão.
Mas sempre tinha a cama pronta
e rango no fogão...

O "x" de "intoxicação" deve ser pronunciado como se fosse um "c" e um "s" juntos. Ou, como no alfabeto fonético, um /k/ e um /s/ juntos, formando o encontro consonantal /ks/. A palavra "intoxicação" deve, portanto, ser pronunciada como "intoksicação".

Vamos a mais um exemplo, tomado à canção "Pense dance", gravada pelo Barão Vermelho:

Penso como vai minha vida
alimento todos os desejos
exorcizo as minhas fantasias
todo mundo tem um pouco de medo da vida...

Você notou o uso do verbo "exorcizar". É até uma palavra difícil de pronunciar. O "x" nessa palavra tem o mesmo som que nas palavras "exame" e "êxodo", por exemplo. Nesse caso, o "x" aparece com som de "z".

E há ainda mais um caso de som possível que a letra "x" pode indicar: em palavras como "excesso", em que o "x" é seguido de "c", o som é um só, como se fosse "ss" (dois esses). Ou seja, foneticamente, "x" e "c" juntos produzem um som só, são um "dígrafo".

Em suma, vimos cinco tipos de som que o "x" pode apontar:

lixo - som de "x"
ximo - som de "ss"
intoxicação - som de "ks"
exorcizar - som de "z"
excesso - som de "ss"





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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

"pobrema" e "renegerar"

Prof. Pasqueale Cipro Neto

Muitas pessoas no Brasil dizem "pobrema". A pronúncia oficial, no entanto, deve ser sempre como se grafa a palavra: pro-ble-ma.

Há um comercial de televisão com uma atriz muito conhecida. Em certa altura de sua fala, ocorre uma troca de sílabas, nem sempre perceptível:

Se a vaca pudesse escolher um hidratante
pra proteger o couro dela, era Tom Bom.
Ela ia falar assim, ó: ‘Tooom Booom’.
Tom Bom é um creme que penetra e renegera cada fibra,
deixando o couro vivo, macio, doidinho pra brilhar...

A atriz Denise Fraga, que fez o comercial, relatou que foi preciso convencer o pessoal da agência de publicidade para a qual fez o comercial a aceitar renegera no lugar de regenera. O resultado ficou delicado e interessante.

A ciência que se ocupa desses desvios de pronúncia é a fonoaudiologia. Em depoimento ao programa, a fonoaudióloga Sandra Pela fala a respeito do assunto:

"Para a produção efetiva dos sons da fala, algumas estruturas são necessárias. O ar vem dos pulmões, passa pela laringe e produz som nas pregas vocais. Esse som é então modificado no trato vocal ou na caixa de ressonância. O trato vocal é que dá a característica específica de cada som.

Por exemplo: se o ar sai mais pelo nariz do que pela boca, temos os sons nasais, como na pronúncia das letras ‘m’ e ‘n’. Se o som é produzido durante o fechamento dos lábios, temos os sons das letras ‘p’ e ‘b’.

Quando esse mecanismo da fala está alterado, temos um fenômeno que é conhecido, atualmente, como dislalia ou distúrbio articulatório. Antigamente era chamado de rotacismo.

No caso das crianças, o problema pode ser decorrência de um atraso no desenvolvimento e de alterações na habilidade motora ou no comando do sistema nervoso central. No caso dos adultos, podemos pensar em trocas articulatórias dos fonemas - como falar ‘Cráudia’ em lugar de ‘Cláudia’, ou de sílabas, como no caso do comercial mencionado. A pessoa faz essa alteração muitas vezes em decorrência do seu meio cultura".

Como vimos, o problema tem explicação científica e há solução para ele. A pessoa pode fazer um tratamento para aprender a empostar a voz, a pronunciar melhor as palavras. O importante é que ninguém seja discriminado por isso.





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