redação Universo Educação
O MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo) denunciou cinco pessoas envolvidas no furto, vazamento e tentativa de venda da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em outubro desse ano, que causou prejuízo de cerca de R$ 45 milhões aos cofres públicos.
As provas, marcadas para o início de outubro, ocorreram apenas nesse fim de semana, o que fez com que universidades como USP e Unicamp não utilizassem a pontuação.
Foram denunciados três funcionários da empresa Cetros, integrante do Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção, contratado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Felipe Pradella, Marcelo Sena Freitas e Filipe Ribeiro Barbosa, e dois intermediários do grupo, Gregory Camillo Oliveira Craid e o empresário Luciano Rodrigues.
Caso a denúncia seja aceita pela 10ª Vara Federal Criminal de São Paulo, os cinco passarão a a responder pelos crimes de peculato (furto praticado por servidor público), corrupção passiva (exigir vantagem indevida) e violação de sigilo funcional.
Para a Procuradoria, Craid e Rodrigues, apesar de não terem subtraído as provas na gráfica Plural, contratada pelo consórcio para imprimir o material, nem estarem realizando serviço público, “forneceram as condições para que fosse tentada a venda dos bens subtraídos”, participando do crime como cúmplices.
Cada acusado responderá por dois peculatos, pois houve dois furtos da prova. No dia 21 de setembro foi furtada a “Prova 1”. No dia 22 de setembro, foi levado da gráfica um exemplar da “Prova 2”. Participaram diretamente dos peculatos, Pradella, Sena e Ribeiro.
Crimes
Os atos de corrupção passiva foram cometidos nos dias 29 e 30 de setembro. No dia 29, após se reunir com Craid e Rodrigues, Pradella revelou que tinha as provas e as exibiu aos dois. Rodrigues, ex-funcionário da Agência Estado, ligou para a Folha de S.Paulo e para O Estado de S. Paulo, informando que conhecia dois rapazes que tinham as provas do Enem e que eles tinham interesse em vendê-las para a imprensa.
Dois jornalistas do Estadão se reuniram com a dupla em 30 de setembro e perguntaram quanto Pradella e Craid queriam pelas provas e eles pediram R$ 500 mil. A equipe do jornal viu a prova e memorizou algumas questões, enquanto gravava o encontro, que foi fotografado a distância. Os jornalistas disseram que o material era de interesse público, mas que o jornal não pagava por informações.
A proposta não foi aceita. Pradella e Craid alegaram que o dinheiro teria que ser dividido entre cinco pessoas. Apesar disso, os jornalistas deixaram a negociação em aberto. Pradella e Craid deram até as 10h do dia seguinte para que o jornal respondesse.
No mesmo dia, o jornal procurou o Ministério da Educação e passou dados suficientes às autoridades para permitir a conclusão de que a prova era autêntica e denunciaram o caso na edição de 1º de outubro, revelando os planos do grupo. No mesmo dia, o MEC anunciou o cancelamento da prova.
Além de peculato, corrupção e violação de sigilo funcional, Pradella é acusado também pelo crime de extorsão. No dia 1º, depois que o Estado publicou detalhes do encontro, Pradella ligou para a jornalista Renata Caffardo, co-autora da matéria, e a extorquiu, pedindo R$ 10 mil “para não lhe fazer mal”.
Além de dois peculatos, atribuídos aos cinco acusados, o MPF aponta que Pradella, Sena e Ribeiro cometeram violações de sigilo por três vezes, ao mostrar a prova para Ribeiro e Craid e às equipes do Estado e da Record. Já Ribeiro e Craid violaram o sigilo duas vezes, quando a prova foi mostrada ao jornal e à TV.
Fraga e Uemura apontam que a corrupção passiva ocorreu três vezes: nas negociações com Estado, Record e Época. Nos contatos com a Folha, a vantagem indevida não chegou a ser pedida, apenas mencionado o interesse financeiro, mas sem a estipulação de valores, condição fundamental para a caracterização da corrupção passiva. O MPF avalia que Pradella foi o mentor do caso e, se condenado, deve receber uma pena maior.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Para coordenador as Provas do Enem não faz avaliação de ensino médio e nem seleciona os vestibulandos
redação Universo Educação
As provas do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não foram justas com quem estuda para passar nos vestibulares porque não seguiram um programa organizado, afirma Nicolau Marmo, coordenador do Anglo Vestibulares. "Eles não estão preocupados em abranger todo o programa. Veja o que aconteceu na prova cancelada: metade era sobre Segunda Guerra Mundial", exemplifica Marmo.
A mesma opinião tem a professora de português do Colégio Objetivo, Elizabeth de Melo Massaranduba. "Eles não têm o programa do Ensino Médio. Não teve escolas literárias, não teve gramática. Só interpretação". Segundo ela, isso é ruim porque desorienta as escolas públicas de todo o país. "Como saber o que dar na escola?", questiona a professora.
Outro problema do novo exame foi misturar objetivos. "Não é possivel que com uma única prova você atenda a duas finalidades tão diferentes: avaliar o Ensino Médio e selecionar alunos para várias universidades", afirma Marmo. "Espero que no ano que vem façam duas provas", diz ele.
Para avaliar a última etapa do Ensino Básico, explica o coordenador, é necessária uma prova de compreensão de textos e de raciocínio. Mas para filtrar quem tem condições de entrar no Ensino Superior, isso não basta: deve-se exigir todo o conteúdo. "O modelo tem que ser a Fuvest, ela consegue avaliar as competências e o conteúdo de forma organizada. Raciocínio e conhecimento".
O número de questões do Enem (90 em cada dia, além da redação) também deve ser revisto pela organização da prova, sugere o coordenador do Anglo. "A Fuvest tem 90 [questões] para cinco horas. Aqui são 90 para quatro e meia. Já é apertado lá, aqui é mais", critica Marmo.
Com base na prova de linguagens - que contém perguntas de língua portuguesa - a professora Elizabeth também considera desproporcional o número de questões e o tempo de prova do novo Enem. "Alguns textos exigiam duas ou três leituras para chegar a uma alternativa", afirma a professora. Segundo ela, isso fez com que os alunos não respondessem a todas as questões e muitos deixassem de lado a redação.
As provas do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não foram justas com quem estuda para passar nos vestibulares porque não seguiram um programa organizado, afirma Nicolau Marmo, coordenador do Anglo Vestibulares. "Eles não estão preocupados em abranger todo o programa. Veja o que aconteceu na prova cancelada: metade era sobre Segunda Guerra Mundial", exemplifica Marmo.
A mesma opinião tem a professora de português do Colégio Objetivo, Elizabeth de Melo Massaranduba. "Eles não têm o programa do Ensino Médio. Não teve escolas literárias, não teve gramática. Só interpretação". Segundo ela, isso é ruim porque desorienta as escolas públicas de todo o país. "Como saber o que dar na escola?", questiona a professora.
Outro problema do novo exame foi misturar objetivos. "Não é possivel que com uma única prova você atenda a duas finalidades tão diferentes: avaliar o Ensino Médio e selecionar alunos para várias universidades", afirma Marmo. "Espero que no ano que vem façam duas provas", diz ele.
Para avaliar a última etapa do Ensino Básico, explica o coordenador, é necessária uma prova de compreensão de textos e de raciocínio. Mas para filtrar quem tem condições de entrar no Ensino Superior, isso não basta: deve-se exigir todo o conteúdo. "O modelo tem que ser a Fuvest, ela consegue avaliar as competências e o conteúdo de forma organizada. Raciocínio e conhecimento".
O número de questões do Enem (90 em cada dia, além da redação) também deve ser revisto pela organização da prova, sugere o coordenador do Anglo. "A Fuvest tem 90 [questões] para cinco horas. Aqui são 90 para quatro e meia. Já é apertado lá, aqui é mais", critica Marmo.
Com base na prova de linguagens - que contém perguntas de língua portuguesa - a professora Elizabeth também considera desproporcional o número de questões e o tempo de prova do novo Enem. "Alguns textos exigiam duas ou três leituras para chegar a uma alternativa", afirma a professora. Segundo ela, isso fez com que os alunos não respondessem a todas as questões e muitos deixassem de lado a redação.
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Uso de "gente" e "nós"
Prof. Pasquale Cipro Neto
Afinal de contas, podemos ou não utilizar a expressão "a gente" no lugar de "nós" ? Dizer que não há problema nenhum em usarmos a expressão no dia-a-dia, na linguagem coloquial, contraria muitas pessoas, para quem esse uso da palavra "gente" deveria ser abolido de vez.
Evidentemente não é possível eliminar a expressão da língua do Brasil, mesmo porque seu uso já está mais do que consagrado. Mas quando ela é de fato mais lícita? No bate-papo, na linguagem informal. No texto formal, ela está fora de questão. Mas, uma vez usada, como deve ser a concordância? É "a gente quer" ou a "gente queremos"? A maneira correta é:
A gente quer.
Nós queremos.
O uso da expressão "a gente" em substituição a "nós" é tão forte que algumas vezes dá origem a confusões. Veja o trecho da canção "Música de rua", gravada por Daniela Mercury:
... E a gente dança
A gente dança a nossa dança
A gente dança
A nossa dança a gente dança
Azul que é a cor de um país
que cantando ele diz
que é feliz e chora
"A gente dança a nossa dança". É tão forte a idéia de "gente" no lugar de "nós" que nem faria muito sentido outro pronome possessivo para "gente", não é? O "nossa" é pronome possessivo da 1ª pessoa do plural e, portanto, deveria ser usado com o pronome "nós":
"Nós dançamos a nossa dança".
Na linguagem coloquial, no entanto, diz-se sem problema "a gente dança a nossa dança", "a gente não fez nosso dever", "a gente não sabia de nosso potencial" etc.
No bate-papo, no dia-a-dia, na canção popular, não seria inadequado o emprego da palavra "gente" — que nos perdoem os puristas, os radicais, os conservadores. Só não é possível aceitar construções como "a gente queremos". Isso já seria um pouco excessivo.
Afinal de contas, podemos ou não utilizar a expressão "a gente" no lugar de "nós" ? Dizer que não há problema nenhum em usarmos a expressão no dia-a-dia, na linguagem coloquial, contraria muitas pessoas, para quem esse uso da palavra "gente" deveria ser abolido de vez.
Evidentemente não é possível eliminar a expressão da língua do Brasil, mesmo porque seu uso já está mais do que consagrado. Mas quando ela é de fato mais lícita? No bate-papo, na linguagem informal. No texto formal, ela está fora de questão. Mas, uma vez usada, como deve ser a concordância? É "a gente quer" ou a "gente queremos"? A maneira correta é:
A gente quer.
Nós queremos.
O uso da expressão "a gente" em substituição a "nós" é tão forte que algumas vezes dá origem a confusões. Veja o trecho da canção "Música de rua", gravada por Daniela Mercury:
... E a gente dança
A gente dança a nossa dança
A gente dança
A nossa dança a gente dança
Azul que é a cor de um país
que cantando ele diz
que é feliz e chora
"A gente dança a nossa dança". É tão forte a idéia de "gente" no lugar de "nós" que nem faria muito sentido outro pronome possessivo para "gente", não é? O "nossa" é pronome possessivo da 1ª pessoa do plural e, portanto, deveria ser usado com o pronome "nós":
"Nós dançamos a nossa dança".
Na linguagem coloquial, no entanto, diz-se sem problema "a gente dança a nossa dança", "a gente não fez nosso dever", "a gente não sabia de nosso potencial" etc.
No bate-papo, no dia-a-dia, na canção popular, não seria inadequado o emprego da palavra "gente" — que nos perdoem os puristas, os radicais, os conservadores. Só não é possível aceitar construções como "a gente queremos". Isso já seria um pouco excessivo.
No ar desde agosto de 1994, o programa trata, sem preciosismos, das dificuldades lingüísticas que enfrentamos ao falar o nosso idioma. O prof. Pasquale Cipro Neto examina filmes publicitários, letras de músicas, poemas, HQ, depoimentos de personalidades e populares, artigos da imprensa, programas de TV e o que mais seja de nossa expressão lingüística. Consulte aqui a íntegra dos módulos, organizados segundo critérios da gramática
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