sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Conjugação verbal: O verbo "ter" e derivados

PROF. PASQUALE CIRPO NETO



É difícil alguém errar a conjugação do verbo "ter", tanto no presente, no passado ou no futuro. Mas, quando se trata de conjugar os verbos derivados de "ter", os verbos compostos, já não há tanta facilidade. Na rua as pessoas comprovam isso. Foi proposta a seguinte questão:
Quais as formas corretas?

"Se a máquina reter o cartão" ou...
" Se a máquina retiver o cartão"?

A maioria errou. A resposta correta seria

"Se a máquina retiver o cartão".

O verbo "reter" é um dos tantos filhos da família do verbo "ter": "deter", "reter", "entreter", "obter", "conter", "abster" etc.
Logo:

eu tenho
eu retenho
eu mantenho
eu detenho
eu obtenho
eu contenho

No futuro do subjuntivo é a mesma coisa: "Quando eu tiver", "Se o goleiro tiver sorte". E não "Quando eu "ter" ", "Se o goleiro "ter" sorte." Assim,

Se a máquina retiver o cartão
Se você mantiver a calma
Se a mãe entretiver a criança
Se os deputados se abstiverem de votar

Para a conjugação dos verbos derivados do verbo "ter" o raciocínio é simples. Apóie-se no verbo "ter", na primeira pessoa do singular do presente do indicativo: Eu tenho.

Eu detenho, eu mantenho etc...

Depois é só seguir essa linha de conjugação.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Conjugação Verbal: Grafia dos verbos "querer" e "por"

PROF. PASQUALE CIRPO NETO



Eu pus a carta no correio.
A ferida não cicatrizou e ainda tem pus.

Como escrevemos o "pus" do verbo pôr e o "pus" relativo a ferida?

Fizemos essas perguntas às pessoas na rua. A maioria acertou. O "pus" da ferida é com "s; o"pus" do verbo, também.


Não existe "pus" com "z", seja verbo seja substantivo. Para esses casos deve-se esquecer a letra "s".

Pus, puser, puseram, pusesse

Todas essas palavras são com "s".

Quis, quiser, quisesse, quiseram, quisemos
depuseram, propuseram, impuseram, repuseram, sobrepuseram, decompuseram

Todas as formas dos verbos "querer", "pôr" e derivados devem ser grafados também com "s".

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Aspecto Verbal: tempo presente e tempo futuro

PROF. PASQUALE CIRPO NETO



Quando uma pessoa diz "Tomo banho todos os dias", será que naquele exato momento ela está tomando banho? Não. O verbo está no presente, mas sua função é indicar um fato que se repete, um presente habitual.

Numa aula de história o professor fala: "Então, nesse dia, Napoleão invade ..."
A forma verbal "invade", que é presente, não indica que naquele momento Napoleão está invadindo algum lugar. Na frase, o tempo presente do verbo "invadir" faz remissão a um fato que ocorreu no passado e traz esse passado mais para perto.

Concluímos, então, que os tempos verbais têm outros valores além dos específicos.

Tomemos o futuro do presente como ele aparece nos "Dez mandamentos" bíblicos:

Amarás a Deus sobre todas as coisas
Não tomarás seu santo nome em vão
Guardarás os domingos e feriados
Honrarás pai e mãe
Não matarás
Não pecarás contra a castidade
Não furtarás ....

"Não furtarás", ao pé da letra, significaria que é proibido furtar no futuro, apenas no futuro, o que abre a possibilidade de entender que o ato é perfeitamente aceitável no presente. Mas, na verdade, "não furtarás", que é futuro, tem nesse caso o valor de imperativo e, como tal, indica que é proibido furtar em qualquer tempo.

Ao analisar um tempo verbal não se esqueça de considerar que ele pode indicar seu valor específico ou um valor paralelo (aspecto verbal), ou seja, um valor decorrente de seu uso no idioma.