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PROF. PASQUALE CIRPO NETO
As pessoas comumente dizem "o patins". No entanto a forma "patins" é plural. São "os patins" ou, então, "o patim". O mesmo erro acontece, normalmente, com a palavra "óculos". Duas canções ilustram bem o problema.
A primeira é "Vampiro", de Jorge Mautner. A outra é "Como vovó já dizia", de Raul Seixas e Paulo Coelho. A letra de "Vampiro" diz:
... Eu uso óculos escuros pra minhas lágrimas esconder...
Jorge Mautner fala em "óculos escuros" e acerta. "Óculos" é plural de "óculo". Usamos dois óculos, um óculo para a vista direita e outro óculo para a vista esquerda. Logo, o aparelho corretor chama-se óculos.
Raul Seixas diz:"... quem não tem colírio usa óculos escuro". A concordância aqui não está adequada. A construção correta seria óculos escuros.
"Óculos" é plural, assim como "férias". Diz-se "As minhas férias" e não "A minha férias". Não se deve confundir "férias" com "féria", no singular, que é a arrecadação de dinheiro de um certo período.
Do mesmo modo, não se diz "o ciúmes", mas "o ciúme".
As cadeiras são azul-claras, as camisas azul-escuras.
Nesse caso a regra é esta: quando se trata de um adjetivo composto formado por dois adjetivos, mantém-se o primeiro e altera-se só o segundo. Exemplos:
proposta luso-brasileira, sentimento luso-brasileiro
cadeira azul-clara, cadeiras azul-claras
PROF. PASQUALE CIRPO NETO
Num comercial de TV há um diálogo entre um médico e uma mulher em que esta diz a certa altura: "É azia, doutor. Mas eu já estou providenciando uma colherzinha de Gastran".
De fato, o diminutivo de "colher" é "colherzinha".
No dia-a-dia, porém, é comum ouvirmos "uma colherinha", que parece até mais afetivo. E "bar"? Você diria "barinho" ou "barzinho" ? É mais provável que diga "barzinho".
Quando o substantivo termina em "r", a tendência é que se faça o diminutivo com o acréscimo de "-zinho" ou "-zinha". "Colherinha", em linguagem familiar, é perfeitamente aceitável. Mas, conforme a gramática normativa, o correto seria "colherzinha".
Vamos a um exemplo tirado da canção "Coisa bonita", gravada por Roberto Carlos:
Amo você assim e não sei por que tanto sacrifício
ginástica, dieta não sei pra que tanto exercício
olha, eu não me incomodo
um quilinho a mais não é antiestético
Pode até me beijar, pode me lamber
que eu sou dietético...
Essa música de Roberto e Erasmo Carlos foi feita para as pessoas que são, digamos, gordinhas. Quando se diz "gordinho" ou "gordinha", usa-se o diminutivo, no caso diminutivo de um adjetivo. Esse diminutivo tem um valor afetivo: "gordinho" é um termo mais delicado que "gordão", que é o aumentativo. Nesse caso, o diminutivo não transmite necessariamente a idéia de tamanho, e sim a idéia de algo mais delicado, suave, afetivo, como fizeram os compositores com a palavra "quilinho". Na verdade, não pode haver um quilo menor do que outro quilo. Ao pé da letra, "quilinho" é um absurdo. Na letra da música, no entanto, a palavra adquire um valor afetivo justamente por causa do diminutivo.
Vamos ver outro exemplo, a canção "Azul", gravada por Djavan:
... até o sol nascer amarelinho queimando mansinho
cedinho, cedinho, cedinho
Corre e vai dizer pro meu benzinho
um dizer assim o amor é azulzinho
Nessa canção, Djavan usa e abusa do diminutivo afetivo. Para se referir às cores, por exemplo, ele usa "amarelinho", "azulzinho". E recorre ao diminutivo afetivo também com relação ao advérbio "cedo" (cedinho) e ao adjetivo "manso" (mansinho).
O diminutivo deve ser compreendido pelo valor específico que ele tem (de tamanho pequeno) e por valores como o afetivo e o depreciativo. Quando se fala "um homenzinho", por exemplo, nem sempre o homem que se tem em vista é pequeno. A pessoa pode usar o diminutivo não com a intenção de fazer referência ao tamanho da pessoa tampouco para transmitir afeto, mas com a intenção de ofender: "um homenzinho" pode equivaler a "um homem insignificante".
São vários os valores do diminutivo. Vimos aqui alguns exemplos, mas há outros que podem ser utilizados na vida diária.
do Universo Educação
O secretário de Educação à Distância, Carlos Bielshowsky, informou que o Ministério da Educação deverá lançar nas próximas semanas o Portal do Aluno. O anúncio foi feito durante apresentação na Conferência Internacional - O Impacto sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação na Educação.
O portal é uma das ações do MEC dentro do Programa Nacional de Tecnologia Informacional (Proinfo) que tem o intuito de promover a inclusão digital aos estudantes brasileiros do ensino fundamental e médio. O portal, destinado a alunos a partir de 12 anos, será conectado ao Portal do Professor.
No portal do professor, o internauta pode criar o roteiro de suas aulas com o uso de ferramentas multimídias. No portal do aluno haverá acesso a uma série de objetos educacionais. Foram criados instrumentos para atrair os internautas como uma comunidade virtual ao moldes do Orkut.