terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Escolas de Interior vencem ''Construindo a Nação''

redação Universo Educação

Escolas do interior do Estado foram as vencedoras do Prêmio Construindo a Nação 2009. O Prêmio é uma parceria do Sesi, com o Instituto da Cidadania Brasil, CNI e órgãos estaduais.

O Prêmio Construindo a Nação tem por objetivo destacar, valorizar e mostrar como exemplo, criando referências, as ações que as escolas públicas e privadas, realizam com a presença ativa de seus alunos no diagnóstico e nas ações práticas de solução para problemas das comunidades onde estão situadas.

No total, 26 escolas inscreveram-se, sendo que apenas 16 entregaram os projetos dentro do prazo e estavam aptas a participar da seleção do Prêmio, cuja cerimônia de entrega será realizada em março do próximo ano no Centro de Convenções e Exposições Albano Franco, em Campo Grande.

No Ensino Fundamental, a vencedora foi a Escola Municipal Manoel Martins, de Ponta Porã, com o projeto “Escola o Beabá da Cidadania - O Caminho Certo a Seguir”, seguida da Escola do Sesi de Dourados, com o projeto “Conscientização Ambiental por um Flash”, e da Escola do Sesi Maria José Castello Zahran, de Campo Grande, com o trabalho “Resgatando Valores num Clique de Solidariedade”.

Na categoria Ensino Médio, o primeiro lugar ficou com a Escola Estadual Dr. João Ponce de Arruda, de Ribas do Rio Pardo, com o projeto “Rio Pardo Vivo”, enquanto o segundo lugar foi para a Escola Estadual 8 de Maio, de Iguatemi, com o trabalho “Lixo Promotor de Educação e Saúde”, e em terceiro lugar aparece a Escola Estadual Professora Fátima Gaiotto Sampaio, de Nova Andradina, com o projeto “Dia de Fazer a Diferença - Educação para Todos”.

O Prêmio Construindo a Nação também premia os trabalhos desenvolvidos por turmas da EJA (Educação de Jovens e Adultos), sendo que neste ano a Escola Municipal Francesco Battista Giobbi, de Sonora, levou o primeiro lugar com o projeto “Reutilizando e Mudando sua História”, tendo em segundo lugar a Escola do Sesi Edmundo Macedo Soares e Silva, de Campo Grande, com o projeto “Integrando as Diferença através do Papel”, e em terceiro lugar a Escola Municipal Izabel Corrêa de Oliveira, de Corumbá, com o projeto “Escola e Festival Sul-Americano Unindo Fronteiras”.

Bolsa de estudo - Segundo a técnica de Responsabilidade Social do Sesi, Valéria Vasques, as escolas vencedoras receberão troféus e as diretoras também ganharão uma bolsa de estudo em nível de pós-graduação, que poderá ser transferida para um dos profissionais que compõe a equipe do estabelecimento de ensino. “O interessante é que a escola vencedora também vai concorrer na edição nacional do Prêmio”, detalhou.

Ela também pontuou o excelente nível dos trabalhos apresentados e explicou que eles passaram pelo crivo de uma comissão de avaliação em Mato Grosso do Sul e outra comissão julgadora no Estado de São Paulo, quando foram avaliados pela equipe do Instituto da Cidadania Brasil. “Nós temos total condições de competir e trazer bons resultados da disputa nacional”, disse.

O Prêmio - A intenção dos organizadores é também valorizar o papel do educador no processo de formação do seu aluno como cidadão e estimular os estudantes a participar ativamente dos projetos de sua escola preparando-os para a vida do País, pela relevância da aprendizagem tida na convivência com as demandas sociais das comunidades.

O Prêmio objetiva ainda motivar os alunos a se tornarem empreendedores e participarem das soluções que inicialmente sua comunidade demanda, mas também das de suas cidades, Estados e País.

Ministério Público denuncia pessoas por vazamento do Enem

redação Universo Educação

O MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo) denunciou cinco pessoas envolvidas no furto, vazamento e tentativa de venda da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em outubro desse ano, que causou prejuízo de cerca de R$ 45 milhões aos cofres públicos.

As provas, marcadas para o início de outubro, ocorreram apenas nesse fim de semana, o que fez com que universidades como USP e Unicamp não utilizassem a pontuação.

Foram denunciados três funcionários da empresa Cetros, integrante do Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção, contratado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Felipe Pradella, Marcelo Sena Freitas e Filipe Ribeiro Barbosa, e dois intermediários do grupo, Gregory Camillo Oliveira Craid e o empresário Luciano Rodrigues.

Caso a denúncia seja aceita pela 10ª Vara Federal Criminal de São Paulo, os cinco passarão a a responder pelos crimes de peculato (furto praticado por servidor público), corrupção passiva (exigir vantagem indevida) e violação de sigilo funcional.

Para a Procuradoria, Craid e Rodrigues, apesar de não terem subtraído as provas na gráfica Plural, contratada pelo consórcio para imprimir o material, nem estarem realizando serviço público, “forneceram as condições para que fosse tentada a venda dos bens subtraídos”, participando do crime como cúmplices.

Cada acusado responderá por dois peculatos, pois houve dois furtos da prova. No dia 21 de setembro foi furtada a “Prova 1”. No dia 22 de setembro, foi levado da gráfica um exemplar da “Prova 2”. Participaram diretamente dos peculatos, Pradella, Sena e Ribeiro.

Crimes

Os atos de corrupção passiva foram cometidos nos dias 29 e 30 de setembro. No dia 29, após se reunir com Craid e Rodrigues, Pradella revelou que tinha as provas e as exibiu aos dois. Rodrigues, ex-funcionário da Agência Estado, ligou para a Folha de S.Paulo e para O Estado de S. Paulo, informando que conhecia dois rapazes que tinham as provas do Enem e que eles tinham interesse em vendê-las para a imprensa.

Dois jornalistas do Estadão se reuniram com a dupla em 30 de setembro e perguntaram quanto Pradella e Craid queriam pelas provas e eles pediram R$ 500 mil. A equipe do jornal viu a prova e memorizou algumas questões, enquanto gravava o encontro, que foi fotografado a distância. Os jornalistas disseram que o material era de interesse público, mas que o jornal não pagava por informações.

A proposta não foi aceita. Pradella e Craid alegaram que o dinheiro teria que ser dividido entre cinco pessoas. Apesar disso, os jornalistas deixaram a negociação em aberto. Pradella e Craid deram até as 10h do dia seguinte para que o jornal respondesse.

No mesmo dia, o jornal procurou o Ministério da Educação e passou dados suficientes às autoridades para permitir a conclusão de que a prova era autêntica e denunciaram o caso na edição de 1º de outubro, revelando os planos do grupo. No mesmo dia, o MEC anunciou o cancelamento da prova.

Além de peculato, corrupção e violação de sigilo funcional, Pradella é acusado também pelo crime de extorsão. No dia 1º, depois que o Estado publicou detalhes do encontro, Pradella ligou para a jornalista Renata Caffardo, co-autora da matéria, e a extorquiu, pedindo R$ 10 mil “para não lhe fazer mal”.

Além de dois peculatos, atribuídos aos cinco acusados, o MPF aponta que Pradella, Sena e Ribeiro cometeram violações de sigilo por três vezes, ao mostrar a prova para Ribeiro e Craid e às equipes do Estado e da Record. Já Ribeiro e Craid violaram o sigilo duas vezes, quando a prova foi mostrada ao jornal e à TV.

Fraga e Uemura apontam que a corrupção passiva ocorreu três vezes: nas negociações com Estado, Record e Época. Nos contatos com a Folha, a vantagem indevida não chegou a ser pedida, apenas mencionado o interesse financeiro, mas sem a estipulação de valores, condição fundamental para a caracterização da corrupção passiva. O MPF avalia que Pradella foi o mentor do caso e, se condenado, deve receber uma pena maior.

Para coordenador as Provas do Enem não faz avaliação de ensino médio e nem seleciona os vestibulandos

redação Universo Educação

As provas do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não foram justas com quem estuda para passar nos vestibulares porque não seguiram um programa organizado, afirma Nicolau Marmo, coordenador do Anglo Vestibulares. "Eles não estão preocupados em abranger todo o programa. Veja o que aconteceu na prova cancelada: metade era sobre Segunda Guerra Mundial", exemplifica Marmo.

A mesma opinião tem a professora de português do Colégio Objetivo, Elizabeth de Melo Massaranduba. "Eles não têm o programa do Ensino Médio. Não teve escolas literárias, não teve gramática. Só interpretação". Segundo ela, isso é ruim porque desorienta as escolas públicas de todo o país. "Como saber o que dar na escola?", questiona a professora.

Outro problema do novo exame foi misturar objetivos. "Não é possivel que com uma única prova você atenda a duas finalidades tão diferentes: avaliar o Ensino Médio e selecionar alunos para várias universidades", afirma Marmo. "Espero que no ano que vem façam duas provas", diz ele.

Para avaliar a última etapa do Ensino Básico, explica o coordenador, é necessária uma prova de compreensão de textos e de raciocínio. Mas para filtrar quem tem condições de entrar no Ensino Superior, isso não basta: deve-se exigir todo o conteúdo. "O modelo tem que ser a Fuvest, ela consegue avaliar as competências e o conteúdo de forma organizada. Raciocínio e conhecimento".

O número de questões do Enem (90 em cada dia, além da redação) também deve ser revisto pela organização da prova, sugere o coordenador do Anglo. "A Fuvest tem 90 [questões] para cinco horas. Aqui são 90 para quatro e meia. Já é apertado lá, aqui é mais", critica Marmo.

Com base na prova de linguagens - que contém perguntas de língua portuguesa - a professora Elizabeth também considera desproporcional o número de questões e o tempo de prova do novo Enem. "Alguns textos exigiam duas ou três leituras para chegar a uma alternativa", afirma a professora. Segundo ela, isso fez com que os alunos não respondessem a todas as questões e muitos deixassem de lado a redação.